Toda palavra sublinhada de pontinho no guia mora aqui — sem juridiquês de arquiteto.
brutalismo (paulista) — arquitetura que mostra o concreto cru, sem maquiagem; a escola de Artigas e Paulo Mendes da Rocha soma a isso generosidade de espaço coletivo.
vão livre — espaço aberto sob o prédio, sem colunas no meio. O do MASP tem 74 metros.
pórtico — a moldura estrutural que segura o edifício; no MASP, as vigas vermelhas.
cavalete de cristal — suporte de vidro criado por Lina Bo Bardi que deixa o quadro "solto" no ar.
pilotis — colunas esbeltas que erguem o edifício do chão, deixando o terreno passar por baixo.
planta livre — interior quase sem paredes fixas: o layout pode ser redesenhado à vontade.
laje — a "bandeja" de concreto de cada andar. No Sesc 24 de Maio, a do teto virou fundo de piscina.
empena — parede lateral do prédio, geralmente cega (sem janelas); às vezes é ela que segura tudo.
pastilha — azulejinho de revestimento de fachada, assinatura das fachadas modernas paulistanas.
brise (brise-soleil) — lâminas na fachada que barram o sol sem fechar a vista; quando móveis, o prédio muda de cara.
muxarabi — treliça de madeira de origem árabe que filtra luz e olhares; ventila sem escancarar.
tirante — barra de aço tracionada que "pendura" partes da estrutura, liberando o vão.
retrofit / reuso adaptativo — dar uso novo a um edifício antigo mantendo estrutura e história: maternidade que vira hotel, cofre que vira bar.
art déco — estilo geométrico-glamouroso dos anos 1920–40; o arranha-céu "de cinema".
ecletismo — estilo que mistura referências históricas (barroco, renascimento, art nouveau) no mesmo prédio.
neorromânico — revival do estilo medieval de arcos redondos e paredes pesadas, como no Mosteiro de São Bento.
incunábulo — livro impresso antes de 1501; a infância da imprensa.
Banespão — apelido do Edifício Altino Arantes (1947), ex-sede do Banespa, hoje Farol Santander.
cinema de rua — sala com porta pra calçada e letreiro, fora de shopping; em SP virou causa pública.
sala única — cinema de um filme por vez, escolhido a dedo; a curadoria é o produto.
cópia restaurada — filme antigo digitalizado e limpo quadro a quadro.
retrospectiva — mostra que percorre a obra inteira de um diretor em sequência.
distribuidora — empresa que compra os direitos do filme lá fora e o coloca nos cinemas daqui.
sessão de meia-noite — tradição cult de filme tarde da noite; na ditadura, era como o Bijou driblava a censura.
teatro imersivo — sem palco: o público circula pelos ambientes junto com os atores.
omakase — cardápio-degustação japonês em que o chef decide o que você come, peça a peça.
niguiri — o bolinho de arroz coberto por peixe; a unidade fundamental do sushi.
shojin ryori — cozinha budista japonesa, vegetariana e ritual.
izakaya — taberna japonesa: beber comendo, sem cerimônia.
speakeasy — bar "escondido" atrás de porta falsa; herança dos clandestinos da Lei Seca americana.
listening bar / kissaten — bar (ou café, no Japão) onde o som é o protagonista: vinil, acústica tratada, conversa baixa.
noraebang — karaokê coreano de salas privativas; "sala de canto", ao pé da letra.
box (karaokê) — o formato japonês equivalente: sala privada, sem palco.
supper club — clube onde se janta durante o show; mesa, palco e cozinha no mesmo salão.
dram — a dose de whisky, no vocabulário escocês.
chorinho — gênero instrumental brasileiro de roda, anterior ao samba; melancolia em andamento alegre.
roda de samba — samba tocado em volta da mesa; o público é parte do instrumento.
antiquário — vendedor profissional de antiguidades, que responde pela autenticidade; diferente de bazar.
FF&E — furniture, fixtures & equipment: o mobiliário solto que dá alma a um projeto de interiores.
box (mercado) — banca fixa numerada dentro do mercado; cada uma é um comércio independente.
kigumi — a arte japonesa dos encaixes de madeira sem prego.