Advent — as quatro semanas antes do Natal; na Áustria, a estação dos mercados, coros, Turmblasen e Krampus.
Christkindlmarkt — o mercado do Menino Jesus; o de Salzburg roda na Dom- e Residenzplatz (em 2026: 19/11–1/1, oficial). A tradição de mercado local remonta ao fim do séc. XV [registro histórico]; o formato atual existe desde 1974.
Festung — fortaleza. A Hohensalzburg coroa a cidade desde 1077 — e nunca foi tomada à força.
FestungsBahn — o funicular de 1892, o mais antigo da Áustria em operação. O irmão de carga, o Reisszug (~1460), é possivelmente a ferrovia mais antiga do mundo ainda existente (verificado jun/26).
Glühwein — vinho quente com canela, cravo e laranja; o aquecedor portátil dos mercados.
Maroni — castanhas portuguesas assadas na chapa; o lanche de rua do inverno austríaco.
Krampus & Perchten — as figuras mascaradas de chifres do Advento alpino: o "anti-Papai-Noel" e os espíritos do solstício. Desfilam; assustam; é o combinado.
Melange — o "cappuccino" vienense: café, leite vaporizado, colarinho de espuma. Pede-se no Kaffeehaus, sem pressa.
Mozartkugel — pistache + maçapão + nougat + chocolate. A original é a Fürst (1890), prata e azul, feita à mão; as vermelhas-douradas são industriais (e a Reber é alemã).
(Salzburger) Nockerl — o suflê doce em forma das três colinas da cidade, polvilhado de açúcar como neve. Divida: é enorme.
Stube / Bräustübl — a "sala" aconchegante de madeira / o salão da cervejaria. O do Augustiner é a sala de estar coletiva de Salzburg.
Schmankerl — as "delícias": os balcões de petiscos (joelho, rabanete, queijo, pretzel) dentro do Bräustübl.
Stiegl — a cervejaria histórica de Salzburg, fundada em 1492; a "escadinha" do logo.
Bosna — o cachorro-quente salzburguês: duas salsichas, pão tostado, cebola, salsinha e tempero secreto, desde 1949/50 (Cap. V).
Tracht / Dirndl / Lederhosen — o traje tradicional alpino; roupa de verdade, não fantasia. O laço do avental do Dirndl tem código.
Grüß Gott & Servus — "que Deus o saúde" (o cumprimento formal, diga ao entrar) e o oi/tchau informal.
Turmblasen — o "sopro das torres": metais tocando corais do alto das torres no Advento, tradição salzburguesa.
DomQuartier — o circuito que une catedral, residência dos arcebispos e museus num só ingresso; o plano B de chuva.
Salzach — o "rio do sal": a riqueza que pagou o barroco desceu por ele em barcaças, de Hallein a Oberndorf.
Railjet (RJX) — o trem rápido da ÖBB: Viena→Salzburg ~2h22, Salzburg→Innsbruck ~1h50, restaurante e wi-fi a bordo.
Stille Nacht — "Noite Feliz": letra de Joseph Mohr (1816), melodia de Franz Xaver Gruber, estreia em Oberndorf na véspera de Natal de 1818 (Cap. IV).
MozartWolfgang Amadeus Mozart (Salzburg, 1756 – Viena, 1791). O menino-prodígio da Getreidegasse 9 que virou sinônimo de gênio: 600+ obras em 35 anos de vida, das óperas (Don Giovanni, A Flauta Mágica) ao Réquiem inacabado. Servia à corte do arcebispo Colloredo e se demitiu aos 25, em 1781, depois de uma demissão célebre — a tradição diz que saiu com um pontapé do mordomo do arcebispo [lenda documentada]. Morreu pobre em Viena; a cidade que o sufocou hoje vive da cara dele. Insight: o sobrenome mais lucrativo de Salzburg é o de um homem que jurou nunca mais voltar.
Constanze MozartConstanze Weber (1762–1842), cantora, casou-se com Mozart em 1782 e ficou viúva aos 29, com dois filhos e dívidas. O que ela fez foi extraordinário pra época: administrou o legado — organizou concertos memoriais, negociou edições, transformou um compositor falido em patrimônio. Casou-se depois com o diplomata dinamarquês Nissen (primeiro biógrafo de Mozart), mudou-se pra Salzburg e morreu aqui. O túmulo está no Sebastiansfriedhof (verificado jun/26) — Cap. VII, manhã de domingo. Insight: sem Constanze, talvez não houvesse "Mozart" pra Salzburg vender.
Leopold Mozart(1719–1787) Pai, professor e empresário do prodígio — autor do tratado de violino mais influente do século e arquiteto das turnês que exibiram o menino às cortes da Europa. A relação com o filho azedou quando Wolfgang escolheu Viena (e Constanze). Está sepultado na cripta comunal do Sebastiansfriedhof (verificado jun/26), a poucos metros da nora que nunca aprovou.
Wolf DietrichWolf Dietrich von Raitenau (1559–1617), príncipe-arcebispo aos 28 anos, educado em Roma: o megalômano que demoliu 55 casas e a catedral medieval pra abrir as praças romanas que vocês atravessam. Manteve companheira, Salome Alt, e 15 filhos [registro histórico] — pra ela ergueu o palácio que virou Mirabell. Deposto e preso pelo sobrinho-sucessor, morreu após 5 anos de cárcere na própria fortaleza; o mausoléu azulejado que mandou construir em vida está no centro do Sebastiansfriedhof (verificado jun/26). A megalomania dele é a Salzburg dos cartões-postais.
ColloredoHieronymus von Colloredo (1732–1812), o último príncipe-arcebispo a governar de fato: iluminista, reformista e o chefe de quem Mozart se demitiu. Na história da música ficou como vilão de opereta — na de Salzburg, como o fim de uma era: depois de Napoleão, o principado de mil anos virou província austríaca (1816).
Christian Doppler(Salzburg, 1803 – Veneza, 1853) Filho de um mestre-pedreiro da Makartplatz 1 (verificado jun/26), matemático e físico: em 1842 formulou o princípio de que a frequência de uma onda muda com o movimento da fonte — o efeito Doppler. Toda ambulância que passa, todo radar de trânsito, todo ultrassom de bebê e a expansão do universo medida pelo desvio pro vermelho: tudo demonstra o salzburguês diariamente. A casa fica a 5 min do hotel (Cap. VII).
Herbert von Karajan(Salzburg, 1908 – Anif, 1989) O regente-imperador do séc. XX: 35 anos à frente da Filarmônica de Berlim, décadas mandando no Festival de Salzburg, o homem que praticamente inventou a gravação clássica moderna (e o personagem vaidoso e genial que a acompanha). A casa-memorial com a estátua dele regendo fica junto à ponte, perto do hotel (Cap. VII). Feche o círculo: a Lacrimosa da trilha deste guia é ele, no Festival de 1960 (Mergulho).
Mohr & GruberJoseph Mohr (Salzburg, 1792–1848), padre nascido pobre — a tradição aponta a Steingasse, a ruela atrás do hotel de vocês [placa: conferir] — e Franz Xaver Gruber (1787–1863), professor e organista de Arnsdorf. Um escreveu o poema (1816), o outro a melodia pra duas vozes e violão; juntos cantaram "Stille Nacht" pela primeira vez na véspera de Natal de 1818, em Oberndorf (verificado jun/26). Nenhum dos dois ganhou um centavo com a canção de Natal mais cantada do mundo. A história completa no Cap. IV.
Os von TrappA família real por trás da Noviça Rebelde: Georg von Trapp, herói naval da Primeira Guerra, viúvo com 7 filhos; Maria Augusta Kutschera, a candidata a freira de Nonnberg que virou tutora e esposa. Perderam a fortuna na quebra de um banco em 1935, profissionalizaram o coral da família — e em 1938, com a Áustria anexada, deixaram o país de trem, com discrição (a fuga épica escalando montanhas é invenção do filme: aquelas montanhas dão na Alemanha). Acabaram numa fazenda em Vermont, EUA. O palácio "deles" no filme é o Leopoldskron (Cap. VIII).
ParacelsusTheophrastus Bombastus von Hohenheim (~1493–1541), o médico-alquimista renascentista que rasgou os manuais antigos e fundou a ideia de que "a dose faz o veneno" — pai torto da toxicologia. Morreu em Salzburg numa passagem; o túmulo está no Sebastiansfriedhof (verificado jun/26). Pro leigo: o cemitério da manhã de domingo guarda, em 90×80 metros, a viúva e o pai de Mozart, um arcebispo deposto e o avô da farmacologia.
Stephan Balkenhol(1957–) Escultor alemão das figuras de "homem comum" impassíveis: a Sphaera (2007) — o homem na bola dourada de 9 m da Kapitelplatz, parte do projeto de arte pública da Salzburg Foundation — e a Frau im Fels, a mulher no nicho da rocha do Mönchsberg (verificado jun/26). O par transforma a cidade barroca em diálogo contemporâneo — ache os dois e decida qual dos dois observa o outro.