Stube — a sala revestida de pinho das casas e tavernas tirolesas; baixa, quente, com banco corrido. O coração da hospitalidade alpina.
Gemütlichkeit — o aconchego intraduzível: lareira, madeira, ninguém com pressa. O estado de espírito que a Stube fabrica.
Gröstl — batata, carne e cebola salteadas na frigideira, ovo frito por cima. O prato de fim de dia de esqui.
Knödel / Speckknödel — os bolinhos de pão (com Speck, no caldo) que abrem qualquer menu tirolês.
Kaspressknödel — o Knödel achatado e frito de queijo de alpe — no caldo ou com salada. Peça pelo nome.
Käsespätzle — nhoque de massa gratinado com queijo de montanha e cebola frita; o mac-and-cheese alpino.
Speck — o presunto cru tirolês, defumado e curado ao ar da montanha. O souvenir comestível.
Kaiserschmarrn — panqueca fofa "rasgada" em pedaços, açúcar e compota de ameixa. A sobremesa-rainha austríaca.
Kiachl — massa frita dos mercados tiroleses: doce (airela) ou salgada (chucrute). O cheiro de dezembro.
Glühwein — o vinho quente especiado austríaco; o aquecedor portátil dos mercados (o vin chaud de lá fala alemão).
Christkindlmarkt — o mercado de Natal; em Innsbruck, o da Altstadt arma as barracas aos pés do Goldenes Dachl.
Zirbe — o pinho-cembro alpino: madeira das Stuben, dos moldes — e do Zirbenschnaps, o digestivo de pinha.
Föhn — o vento quente e seco que desce dos Alpes: derrete neve, fecha teleférico e, juram os locais, explica todo mau humor.
Tiroler Abend — a "noite tirolesa": jantar-show folclórico pra grupos. Existe honesto e existe enlatado — o juízo está em
O que pular.
Almabtrieb — o desfile do gado descendo das alpes, vacas coroadas de flores — mas é festa de setembro/outubro: vocês não verão; fica o nome pra entender as fotos nas paredes das estubes.
Railjet — o trem de longa distância da ÖBB; a reserva de assento é opcional, mas no Arlberg de dezembro é obrigatória de bom senso.
Rodelbahn / Nachtrodeln — a pista de trenó alpina / a versão noturna iluminada. No Rangger Köpfl, 10 km dela — terças e sextas, a noite mais divertida do Tirol.
Maximiliano IImperador do Sacro Império (1459–1519), o "último cavaleiro" — e o grande apaixonado por Innsbruck, que transformou em vitrine da dinastia Habsburgo. Mandou dourar a sacada (o Goldenes Dachl, 1500, pra assistir a torneios na praça) e encomendou pra si o túmulo mais teatral da Europa: um cenotáfio guardado por 28 gigantes de bronze. Ironia que os guias adoram: ele não está enterrado nele — o corpo ficou em Wiener Neustadt; Innsbruck guardou o palco. Insight: Maximiliano entendeu antes de todo mundo que imagem é poder — o Dachl é um outdoor de 1500.
Ferdinando II do TirolArquiduque (1529–1595), o Habsburgo colecionador: instalou no castelo de Ambras a sua Kunstkammer — "câmara de arte e maravilhas" com armaduras, retratos, corais, autômatos e curiosidades do mundo inteiro, uma das primeiras coleções de museu da história. Casou em segredo com Philippine Welser, plebeia rica de Augsburg — o casamento desigual escandalizou a corte, e é por ela que Ambras virou residência. Pro leigo: Ambras é o protótipo do museu moderno, com 450 anos de idade.
Andreas HoferEstalajadeiro e comerciante de vinho do sul do Tirol (1767–1810) que virou general improvisado: em 1809 liderou a revolta dos camponeses tiroleses contra a Baviera e Napoleão — e venceu três batalhas no morro de Bergisel, o mesmo do trampolim de Hadid. Capturado, foi fuzilado em Mântua em 1810; a canção sobre sua morte (Zu Mantua in Banden) virou o hino do Tirol — a primeira faixa da trilha deste livro. O túmulo dele está na Hofkirche, de guarda eterna junto aos gigantes de Maximiliano.
Heinrich IsaacCompositor flamengo (~1450–1517) que Maximiliano contratou em 1496 como compositor da corte. A ele se atribui a melodia de Innsbruck, ich muss dich lassen ("Innsbruck, eu preciso te deixar") — a canção renascentista de despedida que fez de Innsbruck uma das poucas cidades do mundo com hino próprio de 500 anos. Bach reusou a melodia em corais. Insight pro dia 23: vocês vão embarcar no Railjet cantarolando, sem saber, uma despedida que a Europa canta desde 1500.
Daniel SwarovskiLapidador boêmio (1862–1956) que patenteou uma máquina de lapidar cristal com precisão impossível à mão — e em 1895 a instalou em Wattens, a 20 min de Innsbruck, escolhida pela energia hidrelétrica (e pela distância dos concorrentes curiosos). Do segredo industrial nasceu o império mundial do brilho. Pro leigo: o "cristal Swarovski" não é pedra — é vidro de altíssima precisão; a mágica é a máquina, e ela mora neste vale até hoje.
André HellerArtista multimídia vienense (1947–), inventor de jardins, circos poéticos e espetáculos. Pro centenário da Swarovski (1995) criou os Kristallwelten: um gigante de grama que vigia câmaras subterrâneas de maravilhas assinadas por artistas (Brian Eno e Niki de Saint Phalle entre eles). A piscadela erudita: Heller refez de propósito a Kunstkammer de Ferdinando II — as duas câmaras de maravilha, a de 1564 e a de 1995, ficam a 20 minutos uma da outra. Visitá-las no mesmo dia é a rima da terça.
Zaha HadidArquiteta anglo-iraquiana (Bagdá 1950 – Miami 2016), a primeira mulher a vencer o Pritzker (2004) — e Innsbruck tem duas obras dela, raridade pra uma cidade deste tamanho: o trampolim de Bergisel (2002), um "cobra-de-concreto" que funde torre, rampa e café num gesto só, e as quatro estações da Hungerburgbahn (2007), cascas de vidro de dupla curvatura que estudam o gelo em movimento — cada estação muda de forma conforme a altitude. Pro seu olho de FF&E: repare como a casca nunca toca o chão do mesmo jeito duas vezes. É a aula de arquitetura da viagem — paga-se com um bilhete de funicular.
Hermann BuhlO alpinista de Innsbruck (1924–1957): treinou nas paredes da Nordkette que vocês verão do café e fez, em 1953, a primeira ascensão do Nanga Parbat (8.126 m) — sozinho no trecho final, sem oxigênio, numa das façanhas mais insanas da história do montanhismo. Morreu quatro anos depois no Chogolisa. Pro leigo: é o nome que explica por que esta cidadezinha barroca se considera, sem cerimônia, uma capital mundial da montanha.
Os Schwarze ManderNão são gente — são os 28 gigantes de bronze ("homens negros", pelo bronze escuro) que cercam o cenotáfio de Maximiliano na Hofkirche: ancestrais reais, parentes políticos e heróis convocados — inclusive o Rei Artur, de armadura perfeita, numa das estátuas mais elogiadas (duas delas, diz a tradição, sobre desenhos de Dürer). E há mulheres entre os 28, a rigor "Mander" só no apelido. Quando alguém perguntar "por que um túmulo vazio tem guarda-costas eternos?", a resposta é Maximiliano inteiro: a imagem valia mais que o corpo.
Sissi (Elisabeth da Áustria)A imperatriz mais mitificada dos Habsburgo (1837–1898) — e o mito tem versão de celuloide: a trilogia Sissi (1955–57), de Ernst Marischka, com Romy Schneider, que consta ter filmado em Innsbruck entre as locações austríacas. É o elo de cinema da cidade: o império que vocês visitam de manhã virou, no século XX, o filme de domingo que formou a imagem da Áustria no mundo — inclusive a de vocês.